A equipe SAG tem o prazer de trazer a todos os amantes do automobilismo uma entrevista a toda velocidade com Daniel Moraes, diretor médico da Fórmula Truck.
SAG: Como é que funciona aqui toda preparação da parte médica aqui para ter o atendimento mais eficiente possível?
DM: Primeiro é um prazer receber vocês do blog Stop and Go aqui na nossa família Fórmula Truck, sejam sempre bem-vindos ao nosso meio. A Fórmula Truck tem priorizado cada ano mais a equipe médica, porque nossos caminhões são muito velozes, são muito rápidos e são caminhões muito seguros, mas além de ter segurança nos caminhões você tem que ter segurança também fora do caminhão e ai você precisa de uma equipe médica qualificada, especializada e preparada pra qualquer eventualidade.
SAG: Nós tivemos esse ano um acidente muito sério que foi na etapa de Guaporé com o piloto que teve mais de 50 fraturas. E como é que foi aquele atendimento, porque foi um atendimento assim de extremo risco que vocês tiveram que fazer?
DM: Pra você ter uma ideia ele passou alguns dizem a 190 outros a mais de 200, pra você ter uma ideia ele passou por um concreto de muro de 50 centímetros de espessura, ele passou sobre as arvores uns 50 metros e caiu uns 20 metros de cara no chão e todo mundo dizia tá morto, tá morto, tá morto, e foi o resgaste pra mim, eu tenho 25 anos de escola, 25 anos de resgaste de emergência, e esse foi um dos piores que eu fiz na minha vida toda e foi o mais rápido que eu fiz na minha vida, pra você ter uma ideia a desgraceira toda estava ali e nós.. e papai do céu foi muito bom com a gente, os nossos anjinhos e os dele também tavam de plantão conosco, eu tirei ele ao entrar no caminhão e coloca-lo na prancha do lado de fora deu exatamente 35 segundos contado por um jornalista que estava ao lado contando, cronometrando pra gente, a gente não sabia, e eu vim ler depois de um blog, sabe.. então assim.. é.. a Fórmula Truck, a Neuza que é a dona da Fórmula Truck, nós temos uma vantagem, ela como mulher, a mulher tem todo um jeito meigo de falar até pra te dar uma pancada ela te dá com carinho né, e a Neuza é uma coisa.. eu falo pra ela Neuza eu preciso disso e ela fala doutor contrate o que precisar, o que quiser, eu Neuza eu preciso de uma ambulância você tem certeza que só uma.. quer pedir duas.. então isso me dá uma tranquilidade pra eu poder transferir também essa tranquilidade pros pilotos e para o público, então nós temos uma equipe médica preparada pra aqui dentro, pro povo que tá aqui, pros pilotos e temos outra equipe.. parte dessa equipe médica vai pra fora para atender as pessoas do público também, lá nós temos médicos, enfermeiras, temos barracas de 10x8 montada lá fora para atender o povo.. completa, com tudo de urgência, emergência, ambulância, utis, com médico, paramédico, com socorristas, com enfermeiras e tudo que você necessita a bordo. Nós estamos com três hospitais de sobreaviso pra nós aqui, e nós exigimos isso de cada contratado nosso, em cada local que tenhamos três hospitais a nossa disposição, inclusive vaga de uti. Essa é a Fórmula Truck, essa é a equipe médica da Fórmula Truck, uma equipe muito grande, uma equipe complexa até, mas uma equipe muito eficiente e a gente cobra pesado em cima.
SAG: Qual foi a sensação depois desse acidente tão brusco e todos estavam dizendo que o piloto já estava morto, qual a sensação de tirar ele vivo de lá? E ver que ele está se recuperando e que daqui a pouco pode estar de volta às pistas?
DM: Olha vou te contar um segredo pra você, na hora que eu tiro.. eu entro tão adrenado na pista até hoje, 25 anos depois eu achei que só quando eu saísse da escola que eu era menino que eu sentisse, não.. a gente.. você entra adrenado e eu saio adrenado da pista, eu só fui descobrir isso quando eu o levei pra Curitiba, que eu faço uti área também, então eu coloquei no avião né.. a cidade é pequena e nós tivemos recursos maiores, um centro maior, então eu montei uma uti num avião nosso e o levei até Curitiba, eu fiz a uti no ar ele fez duas paradas cardiorrespiratória em voo, então foi muito complicado, nós chegamos em Curitiba ele foi direto pra um dos melhores hospitais de Curitiba, fez a cirurgia, 52 fraturas, na corrida nossa passada em Curitiba agora ele tava lá de cadeira de rodas todo.. contando até piada, então é o maior prêmio nosso, sabe.. é maior alegria minha, em tira-lo dali saber que todo mundo dizia tá morto e nós olhamos pra ele e dissemos assim você está vivo e vai continuar comigo, eu batia no peito dele e dizia fica comigo, olha pra mim, olha pra mim, fica comigo, então quando o vejo assim.. e o sorriso dele que eu vi agora numa entrevista na foto é o maior presente que eu posso ganhar, é ver que eu fui útil, sabe.. a vida daquele que necessitou, e ele necessitou e eu estava lá com a minha equipe, equipe de Guaporé é a primeira equipe médica nossa da Fórmula Truck, há 17 anos conosco, uma equipe linda, maravilhosa, de profissionais de altíssimo nível e todos trabalham não é pelo dinheiro é pelo amor.
SAG: Quanto tempo vocês têm para chegar no piloto, caso precise de alguma emergência médica? Quanto tempo vocês têm para chegar até o piloto?
DM: Tá.. pra você ter uma ideia, não sei se vocês viram eu tenho uma corvette, essa corvette, nós temos uma, linda, maravilhosa né, e nervosa, linda, maravilhosa e nervosa, esse carro é preparado com 640 cavalos na roda, então nós passamos.. nós podemos rasgar essa reta a mais de 300km/h com ela, então.. pra você ter uma ideia nós chegamos ai de 10 segundos, 15 segundos, 30 segundos no máximo nós tamos em cima do piloto, e no carro, no medical nós temos uma mini uti montada, desde urgência e emergência de trauma, ventilatória, pulmonal, o que precisar, desde pra um curativozinho de uma unha que você cortou a uma parada cardiáca ou múltiplas fraturas como foi o caso dele, então o medical tem todos esses aparatos, todo esse equipamento, desfilador, monitor, oximetro, nós temos inclusive um aparelho que chama-se “fez” que a gente realiza se ele tiver preso nas ferragens e eu perceber que a coisa é muito difícil, muito pesada eu consigo fazer um ultrassom, que o ”fez” é um aparelho de ultrassom, eu faço em 1 minuto eu faço uma varredura nele em todo abdômen pra saber se ele tá com hemorragia interna ou não, então isso é segurança, é tranquilidade, isso é Fórmula Truck, é a gente se preocupando cada dia mais e tendo a liberdade de contar com a dona da Fórmula Truck, com a Neuza, que fala assim olha. doutor gaste o que quiser, mas eu quero segurança, eu quero qualidade e eu quero as pessoas bem, então isso me deixa como médico, como diretor médico feliz e realizado como profissional.
SAG: Quando o acidente é mais tranquilo, a gente vê algumas batidas e tal, mesmo assim eles passam por exames após essas batidas, vocês fazem toda a análise nele, completa, ou vocês só perguntam se ele está bem, vê só o geral dele?
DM: Não, o piloto por mais leve que seja o acidente, ele é transferido para o centro médico, mesmo que ele saia do caminhão e vá embora, quando ele chega nos boxes tem um médico nosso lá, vai busca-lo ele vai pra dentro do ambulatório médico, lá é feito um checkup do fio de cabelo ao dedão do pé dele, nós fazemos uma anamnese completa, completa, e nós só o liberamos, ele só pode voltar ao caminhão, adentrar ao caminhão para adentrar a pista se tiver o aval médico, se tiver a liberação do médico, do contrário ele não pode.
SAG: Essa ida ao centro médico é obrigatória?
DM: É obrigatório, isso é obrigatório, é praxe, isso é protocolo nosso, sabe.. porque ele pode dizer não doutor eu estou bem, eu estou bem eu não tenho nada e ter uma hemorragia interna, montar no caminhão ou sair andando a pé e 10 minutos depois cair no chão e morrer, então pra isso nós temos médicos, nós temos uma equipe especializada, qualificada, pra essa avaliação, então é segurança? é, é chato, pode até ser, mas é vida pra eles.
08:39
Unknown
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